Trabalhar é muito difícil
E pior que isso é se jogar de um edifício
Dificilmente sabemos de alguém que queira realizar esta última ação
Não há qualquer possibilidade de se fazer as duas ações de uma só vez
Ou trabalha, ou se joga
Difícil ofício de edificar edifícios
Da vida voraz
Da luta que não cessa
Do erro da letra da música
Da voz rouca das angústias
Dos nossos pedaços que a morte leva
Do que o tempo muda
Minha professora de Matemática costumava dizer
Que embora viver de amor seja muito dolorido
E morrer de amor não seja tão difícil
Sempre preferimos seguir vivendo
Sem fazermos planos de nos jogar de um edifício
Ela costumava mostrar isso nas aulas de Geometria
Traçando linhas para os lados, para cima e para baixo
Sempre tentando nos convencer a vivermos
Estudar sempre dar, vez por outra, uma vontade fugaz de se matar
Acho que ela tinha a noção exata disso
Pois era matemática, sabia um pouco sobre edifícios
Lembro das aulas e imagino os ofícios
Todos, ou quase todos, passam pela sala de aula
Ou escolhem um, entre muito ofícios
Ou se matam dos edifícios
Ou se perdem na Matemática
Eu não me perdi
Mas me confundi nas muitas linhas
E me achei algumas vezes no viés dos meus passos
Agora vivo
E minha função de viver é difícil
Inadequadamente faço nela construções
Que se reconstroem
Se desmancham
E assim faço os meus sentidos
E se me perco neles
Logo busco ou faço outros edifícios
Anglebson Barros – 17/12/2010
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